quinta-feira, abril 06, 2006

Minas

Por coincidência, inaugurei o meu blog no primeiro Dia Internacional de Sensibilização para o Perigo das Minas e a Assistência à Acção Antiminas.

Segundo o Relatório de Acompanhamento das Minas Terrestres (Landmine Monitor Report) de 2005 (que podem ver aqui), existem actualmente 84 países que sofrem o flagelo das minas terrestres e das munições por explodir. As minas terrestres e as munições abandonadas matam ou ferem 15 mil a 20 mil pessoas por ano. De acordo com a ONU, existem actualmente 110 milhões de minas em todo o mundo, e entre os países onde há mais minas estão Angola e Moçambique.

Esta menina angolana tinha 11 anos quando perdeu um olho devido à explosão de uma mina. No mesmo acidente, um primo perdeu uma perna.
(Crédito: Tim Grant)


Em 1997, surgiu o Tratado sobre a Proibição de Minas Anti-pessoal – “Convenção Sobre a Proibição da Utilização, Armazenagem, Produção e Transferência de Minas Antipessoal e Sobre a sua Destruição” - por vezes referido como a Convenção de Otava. Este tratado estabelece a proibição generalizada da utilização, armazenagem, produção e transferência de minas anti-pessoal e exige que os países participantes procedam à destruição de todas as minas anti-pessoal colocadas nas zonas minadas sob a sua jurisdição ou controlo, e destruam os seus stocks de minas. Portugal ratificou o tratado a 19 de Fevereiro de 1999, e o mesmo entrou em vigor a 1 de Agosto do mesmo ano.

O tratado resultou de negociações lideradas por um grupo de países, juntamente com as Nações Unidas, a Cruz Vermelha, e mais de 1400 organizações não governamentais, organizadas numa International Campaign to Ban Landmines (ICBL).
Em 1997, a ICBL e a sua coordenadora na altura, Jody Williams, receberam o Prémio Nobel da Paz.

Até agora, 150 países ratificaram o tratado. Há, no entanto, 40 países que ainda não o fizeram. Entre eles, alguns casos óbvios - China, Cuba, Irão, Israel, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Líbia, Síria -, uma surpresa - Finlândia -, e, claro, os EUA.
Sobre os EUA, muito há a dizer, mas fica para mais tarde. Não quero estragar o dia...

Mais informações:

Para terminar, aqui podem encontrar uns mapas interessantíssimos, entre os quais destaco os seguintes:





Países fabricantes de minas
Países com stocks de minas
Países com vítimas de minas

3 comentários:

Em 06 abril, 2006 17:31, Anonymous Capitolina disse...

É um horror a hipocrisia de países que pregam o anti-terrorismo e continuam a fabricar armas anti-pessoas que, ano após ano, fazem tantas vítimas inocentes. E vemos como as crianças são alvos tão flagelados.
Como conseguimos conviver com este lado de barbárie do mundo?...

 
Em 06 abril, 2006 19:54, Anonymous julie disse...

Olá. Sou uma amiga da sua Mãe, em Coimbra. O meu nome é Júlia São_Marcos. Queria dar-lhe os parabéns pela forma como gere em plenitude os seus tempos de família, de profissão,e agora de escritor (os bloggistas dizem que não são escritores, mas eu acho que sim). Os temas abordados revelam a seriedade com que considera a urgência da aplicação dos Direitos Humanos e a atenção aos casos dos mais indefesos e dos mais maltratados institucionalmente. Este não é o lugar certo para o fazer, mas envio uma palavra calorosa para a digníssima PROLE que já mostrou ao mundo noutro sítio. Uma vida assim em pleno só pode ser bafejada pelos deuses.

 
Em 07 abril, 2006 10:04, Blogger naïf disse...

Júlia,
Obrigado pelas suas palavras. Devo tudo aos Pais fora de série que, por sorte, de me calharam na rifa.

 

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