terça-feira, junho 20, 2006

Razões de um ateu

Revejo-me em grande parte desta declaração, apesar de eu ser um pouco menos "radical", pois não me considero anti-clerical nem acho que a religião só possa ser considerada como algo estritamente do foro pessoal. Isto porque reconheço o papel social que algumas associações religiosas têm tido em prole dos mais necessitados. Na falta de associações cívicas de peso, muitas vezes são as religiosas que fazem grande parte do trabalho.

11 comentários:

Em 20 junho, 2006 22:40, Blogger GBorges disse...

Ateu ou agnóstico?
Abraço

 
Em 20 junho, 2006 22:55, Blogger naïf disse...

Eu sou ateu, na medida em que não acredito na existência de um deus ou de algum ser superior. Mas isso não implica ser contra quem acredita, nem atacar as associações religiosas apenas por o serem.
Neste ponto sou bastante mais tolerante que muitas religiões ou representantes das ditas...

 
Em 20 junho, 2006 23:15, Blogger GBorges disse...

" O agnóstico, à primeira vista, opõe-se não propriamente a Deus, mas sim à possibilidade de a razão humana conhecer tal entidade (gnose tem a sua origem etimológica na palavra grega que significa «conhecimento»). Para os agnósticos, assim como não é possível provar racionalmente a existência de Deus, é igualmente impossível provar a sua inexistência, logo, constituindo um labirinto sem saída a questão da existência de Deus, não se deve colocar sequer como problema, já que nenhuma necessidade prática nos impele a embrenharmo-nos em tal tarefa estéril.", http://pt.wikipedia.org

Encaixo-me mais nesta categoria. É claramente uma posição a nível pessoal, que tal como tu próprio sugeres "não implica ser contra quem acredita, nem atacar as associações religiosas apenas por o serem".

Abraço

 
Em 21 junho, 2006 00:32, Anonymous capitolina disse...

gborges, mas há uma diferença fundamental que tem de ser referida: o ateu não acredita e tem a coisa resolvida; o agnóstico caracteriza-se pela dúvida: não acredita, mas tem dúvidas muitas vezes sobre a questão.

 
Em 21 junho, 2006 15:40, Blogger GBorges disse...

Capitolina,
Não é uma questão de dúvida mas uma forma pragmática de por a questão. O ateu acaba por cair no seu próprio dogma, o de não acreditar.

 
Em 21 junho, 2006 22:40, Anonymous capitolina disse...

Miguel Torga e Vergílio Ferreira, que tomam estas temáticas nas suas obras, desejaram muito ser ateus. Exactamente porque isso seria a resolução do problema. Não criam em deuses e ponto final. O mundo, a partir daí, seria perspectivado com clareza.
Todavia, nenhum conseguiu evitar momentos em que a dúvida da existência de um ser superior lhes dominava o espírito. E daí se considerarem agnósticos.
Isto não contraria o sentido etimológico do vocábulo. Mas acrescenta-o.

 
Em 22 junho, 2006 11:02, Blogger naïf disse...

No meu entendimento, ser agnóstico é admitir que existe algo "superior", para além da compreensão humana. Ora, ao acreditar que pode existir algo que contradiz grande parte do conhecimento actual está-se a abrir as portas a tudo o resto, desde a existência de fantasmas até à possibilidade de falar com os mortos.
Como pessoa pragmática e realista que considero ser, para mim isto não faz sentido nenhum.
E antes que me respondam, digo já que eu sei que a ciência também avança com base na dúvida, e pondo em causa o que já se sabe. Mas uma coisa é duvidar das teorias de Einstein, outra é admitir que tudo o que existe é controlado por um "ser superior", e que nos limitamos a seguir caminhos já traçados.
Como diz Nemo no filme "Matrix":
"I don't like the idea I don't control my own destiny."

 
Em 22 junho, 2006 18:30, Blogger GBorges disse...

O agnóstico considera a discussão da existência de deus uma questão estéril:
"... não se deve colocar sequer como problema, já que nenhuma necessidade prática nos impele a embrenharmo-nos em tal tarefa estéril."

Não se trata de duvidar se deus existe ou não. A dúvida só aparece quando se põem hipóteses, hipóteses essas que nem chegam a ser formuladas à partida por a questão não ser sustentável, pertinente ou que falha a pena despender esforço intelectual.
Logo, no meu entender, o agnóstico é mais pragmático que o ateu.

O ateu, ao responder à pergunta, mesmo que de forma negativa, acha-a pergunta pertinente (porque a responde!). No entanto, responde sem base factual ou prova, caindo num dogma (verdade universal e indiscutível) semelhante aos que criticam noutros credos.

São pontos de vista :)
Abraço

 
Em 22 junho, 2006 19:06, Blogger naïf disse...

Num mundo em que a religião tem o poder que tem, parece-me óbvio que a pergunta é pertinente.
O ateu analisa o conhecimento actual e responde "não", porque a existência de deus não é compatível com esse conhecimento (e isto é a única prova que ele precisa).
O agnóstico responde "talvez", "não sei", ou "não me interessa". As duas primeiras respostas demonstram dúvida, a última demonstra alheamento da realidade.
Onde está o pragmatismo?

 
Em 23 junho, 2006 11:55, Blogger GBorges disse...

Não concordo com a afirmação de que o agnóstico ignora a realidade. As instituições religiosas só são importantes porque lhes atribuem demasiada atenção e ganham relevo perante a critica dos seus valores. Não quero dizer que as ignoremos mas que as devemos tratar da mesma forma como o fazemos relativamente a outras organizações com poder interventivo na sociedade. A questão da religião em si deve ser minimizada e até esquecida no que toca a relações institucionais. É, a meu ver, a forma mais inteligente de diminuir o poder de manipulação de massas que as igrejas detêm. Daí o pragmatismo...
Abraço

 
Em 05 março, 2009 17:52, Anonymous emanuel disse...

concerteza, nós ateus temos um grande dilema, que é: "onde está seu deus?". um jovem da escola que frequento me perguntou, mais porque você não acredita em deus?, e eu lhe disse, e por que você acredita em deus?...é muito simples..cada qual com seu ponto de vista, o meu é esse!

 

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